Quando chega o momento da despedida, o luto

Pela manhã, vi no noticiário uma reportagem que me chamou a atenção: um agricultor emocionado contava que a seca havia devastado sua plantação de uva; todo investimento feito e um ano inteiro de trabalho havia se perdido pela falta de chuva. Estava tudo preparado para acontecer: a colheita, o transporte, a entrega do produto para venda e produção de vinho… sua renda, seus planos, seus sonhos… tudo havia se perdido.

Me peguei pensando sobre como é difícil ver tudo se perdendo e não poder fazer nada para impedir porque simplesmente não há nada o que se possa fazer, apesar de nossa vontade.

A natureza nos ensina a cada estação, ensinou a este agricultor e ele com sua história também nos leva a refletir sobre um tema que ninguém gosta muito de falar: o luto.

Quando falamos em luto, pensamos também em perda e na dor que ela nos traz. Mas será que perder não seria uma construção errada que fazemos, uma vez que ninguém ou nada nos pertence de verdade? Aprendemos desde muito cedo que sucesso,  realização e felicidade estão ligados a ganhar e lutar pelo que queremos. Mas quando falamos em luto pela despedida de alguém muito importante para nós, nos encontramos diante de um dilema existencial que envolve a falta, o vazio e a dor inevitável que ele nos traz.

Estar diante da finitude da vida pode ser assustador num primeiro momento, apesar de ser ao mesmo tempo uma simples constatação diária, é só prestarmos atenção…

Nós temos o hábito de planejar e controlar nosso tempo e até mesmo aqueles que convivem com a gente, mas para quê? Talvez façamos isto porque precisamos a todo custo manter a ilusão de permanência e constância de tudo aquilo que acreditamos que precisamos para viver. As certezas que acalmam mais do que os “talvez” …

Quando precisamos nos despedir ou nos separar de alguém que amamos e isso precisa acontecer mesmo contra o nosso desejo, nos deparamos com o vazio e a dor, sentimos que uma parte de nós morre e junto morrem também os sonhos e expectativas que cultivamos, o sentido que encontramos e o amor que sentimos. Será?

É quando se inicia o período de luto, do recolhimento e do silêncio. Sim, porque é preciso silenciar dentro de nós o medo, para que em algo novo  possa emergir: uma sensação de conforto inexplicável que surge quando sentimos que o essencial permanece vivo dentro de nós: o amor… Ele já estava lá bem no fundo, mas a dor que a sensação de perda nos causou até então nos impossibilitou de encontrá-lo.

A finitude não é algo com que se lute contra, mas sim algo que nos aproxima do essencial! E o que é essencial na vida para você?

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